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Mátria
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O Menino, o Jabuti e o Chão de Caquinhos
O menino admira o jabuti
que se camufla
no chão de caquinhos.As formas, tão parecidas,
por um segundo
o fizeram acreditar
que ele também poderia se esconder
em meio ao conhecido.Que se ele ficasse ali,
paradinho,
quietinho,
o contorno que delimitava
sua singular existência
se dissiparia,
junto com aquilo que gritava em seu peito
e o fazia enrijecer os punhos,
suprimindo-os da alegria da expressão,
e ele seria só mais um.Mas aquele contorno
havia sido desenhado
com uma tinta aquariana,
impermeável,
impossível de diluir.Lhe restou suprimir.
O contorno virou linha reta,
uma fissura no entremeado de sua identidade
onde escondia suas verdades mais íntimas.Já homem,
o menino resolveu deixar o jabuti
e o chão de caquinhos.
Longe da mátria,
respirou, aliviado
pela primeira vez.Finalmente, o anonimato.
Seu contorno mais uma vez,
se recontornou.
Buscou por suas mais duras verdades
e as carregou no colo,
até integrá-las a si.Já não queria ser mais dissipado.
Já não era mais fissura.
E ao retornar à Mátria,
logo seu contorno já não dava conta
de tudo aquilo que florescia dentro de si.Ele transbordava,
mas não se perdia:
o jabuti continuava ali,
no chão de caquinhos.
Acolhido nos braços,
do colo que antes rejeitara,
a mátria carregava
com muito cuidado
toda sua ambivalência,
suas contradições
e sonhos.E em sua inteireza,
o homem suspirou
o suspiro de um homem enraizado:
Finalmente sou.Anna Enger
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